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História

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Os Batistas Regulares

A história do grupo no Brasil

 

OS PRIMÓRDIOS DOS BATISTAS

Iniciamente é necessário fazer uma análise histórica do nascimento do movimento Batista no mundo. O nome provém do termo grego “baptistés” que descreve aquele que batiza, também especialmente vinculado ao profeta João Batista.

Há algumas especulações quanto a origem exata deste grupo, no entanto a teoria mais aceita é a que dissidentes ingleses que não concordavam com práticas da Igreja Anglicana, porém que não se posicionaram totalmente com os puritanos (sendo uma espécie de ramificação deste grupo). Fixaram-se inicialmente na Holanda e teve como líderes: John Smyth, um clérigo e Thomas Helwys, um advogado. Em 1609 a primeira igreja batista foi fundada, em Amsterdã.

Há outros que falam que os batistas é um outro nome para o movimento anabatista (surgido na época da Reforma), no entanto olhando os aspectos históricos defendidos pela maioria dos historiadores é mais prudente aceitar que os batistas sejam pós-anabatistas, pois John Smyth e Thomas Helwys fizeram um contraponto com as reformas radicais e com o apelo social dos anabatistas, delimitando assim a formação oficial de um novo grupo.

Os batistas por meio de uma maior preocupação doutrinária e por conseguir passear por diversos grupos sociais teve um crescimento muito grande em países já atingidos pela Europa. No entanto, com a perseguição de alguns monarcas absolutistas católicos alguns batistas se viram obrigados a fugir para outros locais, em especial para a Nova Inglaterra (atual Estados Unidos).

Os puritanos em geral viram a colonização da Nova Inglaterra como a melhor alternativa para viverem sua fé em paz. Dentro dessa leva puritana, estavam alguns batistas, porém nenhuma igreja batista fora fundada até 1630. Entretanto na região de Providence (dominada por indígenas), Roger Williams fez um acordo com os nativos e formou primeira colônia oficialmente batista na Nova Inglaterra e no ano de 1639 a primeira Igreja Batista foi inaugurada.

Porém, a partir do século XIX os batistas começaram a passar por algumas divergências muito grandes. De 1861 a 1865 os batistas sofreram sua primeira grande crise interna, esta crise foi desencadeada pela questão dos escravos na Guerra da Secessão americana. Dividindo o grupo em Batistas do Sul (abertos ao escravismo) e Batistas do Norte (defendiam a abolição dos escravos).

Já a segunda grande crise batista ocorreu no século XX, em meados de 1929 a 1945 e teve motivos ligados a ortodoxia. Pois, nessa época o liberalismo teológico e ecumenismo começa a entra no seio das igrejas batistas americanas do norte e do sul.

A crise principal foi a abertura da Convenção Batista do Norte ao liberalismo teológico. Entre as heresias estavam os ensinos contrários ao ensino da santidade perfeita de Jesus Cristo, combates a morte substitutiva de Jesus e negação do nascimento virginal de Cristo.

Vajamos alguns exemplos:

“O uso da Bíblia como a autoridade final é na verdade uma idolatria realizada pelos cristãos.”

(Dr. Ferre no livro, “Sun and Umbrella”, pág 39)

 

“Jesus pode ter sido induzido ao erro, bem como ajudou, pelo Seu uso das Escrituras.“

(Dr. Ferre no livro, “Sun and Umbrella”, pág 40)

 

“Atualmente nós temos nossa própria maneira de enfrentar os problemas e devemos usar a Bíblia, mas se necessário devemos modificá-la para que resolvamos os nossos problemas”

(Gerald Birney Smith no livro, “Teologia Sistemática e Ética Cristã, página 493)

 

“O homem é o juiz da Escritura este livro não é o juiz do homem”

(Professor George Burman Foster no livro, contribuição dos estudos críticos para Ministerial Eficiência, página 740)

 

Segundo o professor Jaime Augusto de Lima, em palestra desenvolvida na Igreja Batista Manancial de Fortaleza-CE (2014):

“Do fim do século XIX para o começo do atual, o liberalismo teológico apareceu. Sua ênfase no criticismo bíblico e no racionalismo trouxe uma devastadora avalanche. Atingia em cheio as denominações protestantes da América do Norte, principalmente os batistas. A Convenção Batista do Norte, fundada em 1907, foi profundamente afetada pelas idéias modernistas. Tanto igrejas quanto instituições arroladas em seus quadros sofreram. A reação foi o aparecimento de um movimento que surgiu em defesa das verdades fundamentais da fé”.

Para fazer uma defesa apologética do ensino histórico-tradicional das Escrituras nasceu um movimento chamado de Fundamentalista.

Quanto ao nome “Batista Regular” não se há um consenso. Há uma história não canônica que a GARBC (General Association of Regular Baptist Churches) tenha usado este nome após um acalorado debate dentro da Convenção Batista do Norte. Era comum nos Estados Unidos debates sobre assuntos teológicos controversos e estes recebiam sentença de juízes de direito. Em 1930, dentro dos batistas do Norte formou-se duas alas: a fundamentalista e a liberal. Após acalorado debate a grupo batista fundamentalista recebeu a confirmação que estava “regular” com as Escrituras e os liberais não, a partir disso o nome “regular” passou a ser utilizado para os fundamentalistas da Convenção Batista do Norte.

O rompimento estava selado. Consumou-se em maio de 1932 durante a 8ª reunião da União Batista Bíblica, na Belden Avenue Baptist Church de Chicago. O pastor da igreja, Dr. Howard C. Fulton, presidiu a reunião. Estavam presentes 34 representantes de 22 igrejas de 8 Estados. Votaram pela separação da Convenção e pela organização de um novo movimento. Foi organizada a GARBC (General Association of Regular Baptist Churches).

Esse grupo tinha como doutrinas centrais:

  1. A eterna divindade de Jesus Cristo
  2. O nascimento virginal de Jesus Cristo
  3. A vida sem pecado de Jesus Cristo
  4. O substitutiva e morte expiatória de Jesus Cristo
  5. A ressurreição corporal de Jesus Cristo
  6. A inspiração verbal e autoridade da Bíblia como Palavra de Deus

 

OS BATISTAS REGULARES NO BRASIL

Em 1932, após o surgimento do movimento Batista Regular nos Estados Unidos duas missões batistas foram reconhecidas pelo movimento: A Baptist Mid-Missions (BMM) fundada em 1920 pelo ilustre missionário Dr. William C. Haas, e a Association of Baptists for World Evangelism (ABWE), fundada em 1927 com o nome inicial de ABEO (Association of Baptists for Evangelism in Orient) pelo Dr. Raphael C. Thomas.

O movimento chegou à Região Nordeste em 1935, inicialmente com o esforço pioneira e independente dos missionários William A. Ross e Edward Guy McLain. McLain ao chegar ao Brasil se instalou em Juazeiro do Norte/CE.

Porém, apenas em 15 de dezembro de 1943 a primeira igreja Batista Regular foi fundada no Brasil, Primeira Igreja Batista Regular em Manaus-AM.

Já o primeiro Seminário foi o Batista do Cariri. A história do Seminário Batista do Cariri (SBC) está estreitamente ligada à da implantação do trabalho batista regular no Brasil. Suas origens remontam ao ano de 1946, quando foi fundado em Juazeiro do Norte-Ce o então Instituto Bíblico Batista, destinado à formação de obreiros. Na década de 1960, o instituto passou a se chamar Seminário Batista do Cariri. Em 1996, ao comemorar seu jubileu de ouro, o SBC transferiu-se para a cidade do Crato-Ce, onde funciona atualmente.

A Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil (AIBREB) nasceu em 1954, pelo o destacado missionário Jim Wilson. Esta Associação nasceu com a intenção de manter a união doutrinária das igrejas batistas regulares.

Atualmente o movimento Batista Regular brasileiro tem presença em todos os estados brasileiros e conta com seminários em quase todas as regiões do Brasil.

A AIBREB em parceria com a Editora Batista Regular elaborou um livro que pontua os principais distintivos dos Batistas Regulares no Brasil.

1) Bíblia como única regra de fé e prática.

2) Autoridade de Cristo como o Cabeça da Igreja.

3) Trabalho dividido em dois ofícios: pastores e diáconos.

4) Imersão (batismo) e Ceia: as duas ordenanças.

5) Sacerdócio individual de cada crente.

6) Todos os membros regenerados e batizados.

7) Autonomia da igreja local.

8) Separação entre a Igreja e o Estado, e da heresia.

 

Para concluir gostaria de mencionar um trecho do documento de formação da General Association of Regular Baptist Churches:

“…que [esta associação] irá lutar, sem vacilar, pelos grandes Fundamentos do cristianismo histórico. Que esta associação irá proteger e promover a independência das igrejas locais, e a separação entre igreja e estado. E que sempre irá procurar espalhar o Evangelho aos confins da terra, ao mesmo tempo edificando os crentes na mais sagrada fé, e assim honrar nosso Senhor Jesus Cristo como o cabeça da Igreja e Senhor da ceifa.”

Assim foi como que aqueles homens entenderam o que significa o nome “Batista Regular”. Então, mesmo com os diversos problemas que são oriundos do separatismo podemos perceber que o movimento Batista Regular é destacado pela sua firmeza doutrinária, amor inegociável a Jesus Cristo e desejo em fazê-Lo conhecido em toda a Terra.