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A importância de uma Associação de Igrejas Batistas Regulares


As igrejas Batistas Regulares tem como prática a UNIÃO através de ASSOCIAÇÕES DE IGREJAS. Defendemos a autonomia das igrejas locais, como ensinado nas Escrituras. Por isso, não aceitamos outros modelos que unam igrejas, se não o modelo associativo.


O 14º Distintivo Batista Regular, sobre a Autonomia da Igreja Local (EBR, 2003), declara:

“Cada igreja local é autônoma quanto às suas questões administrativas e congregacional quanto ao seu governo interno. Ela é submissa apenas a Cristo, o seu Cabeça, e nenhuma organização ou hierarquia eclesiástica tem autoridade sobre ela. São os próprios membros, e não os líderes da igreja, que tomam as decisões da igreja” (p. 34).

Não obstante, apesar de autônomos, não podemos ser isolados. As Escrituras enfatizam tanto

a UNIÃO quanto a COOPERAÇÃO entre as igrejas, por sermos parte do mesmo Corpo. O 14º

Distintivo Batista Regular continua:


“Contudo, autonomia não quer dizer independência. As igrejas de Cristo devem umas às outras respeito e cooperação espiritual (Atos 15.1-6, 22-35). Todas se acham na dependência do mesmo Cabeça (Efésios 4.11-16), e isto as faz interdependentes” (p. 34).

Este texto tenta defender a importância da formação e da manutenção das Associações de

Igrejas Batistas Regulares tentando responder a três perguntas: (1) porque unir igrejas em

associação? (2) o que é uma associação de igrejas? e (3) para que serve uma associação de

igrejas?


A. PORQUE UNIR IGREJAS EM ASSOCIAÇÃO?

Abaixo estão alguns motivos pelos quais as igrejas precisam trabalhar em união.


1. TODO O ENSINO BÍBLICO APONTA PARA A PRÁTICA DA UNIÃO ENTRE OS SALVOS, E NÃO PARA O ISOLAMENTO.

Desde o Antigo Testamento as Escrituras vêm defendendo a UNIÃO como benéfica, saudável e recomendável, ao invés do isolamento. Abaixo estão somente alguns exemplos desse ensinamento:

a. Na vida individual do homem, quando Deus estabelece a família como base primária da vida em sociedade: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18).

b. No relacionamento do povo de Israel, incentivando a proximidade entre os irmãos: “Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! ” (Sl 133.1).

c. Na vida em sociedade, mostrando que o isolamento somente prejudica o indivíduo: “Melhor é serem dois do que um” (Ec 4.9-12).

d. Na Oração Sacerdotal de Jesus, onde Ele pede ao Pai que Seus discípulos sejam unidos como para mostrar ao mundo a Sua missão salvadora: “A fim de que todos sejam um... para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.11,2123).

e. Como parte essencial da vida comum da igreja: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito” (Ef 4.2,3); “... firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica” (Fp 1.27).


A igreja que insiste em permanecer isolada, além de estar em clara desobediência a estes princípios básicos, está sujeita ao fracasso no cumprimento dos propósitos que Deus estabeleceu para ela.



2. A PRÁTICA DAS IGREJAS DO NOVO TESTAMENTO APONTA PARA A UNIÃO

Como Batistas Regulares, presamos muito os exemplos da igreja neotestamentária como modelo para a prática das nossas igrejas. Desde o livro de Atos até o Apocalipse, as igrejas se tratavam e foram tratadas como uma coletividade.


Os textos abaixo contêm versículos onde a palavra “igreja” aparece no plural. Uma rápida olhada sobre eles já deixa claro a noção de união entre as igrejas que estava presente no pensamento dos escritores.


a. At 11.22,23,29,30 – Aqui vemos as igrejas de Jerusalém e Antioquia se ajudando mutuamente quando percebem a necessidade uma da outra.

b. At 15.41; 16.5 – Paulo se ocupava em fortalecer as igrejas por onde passava.

c. Rm 16.4,16 – Paulo demonstra que as igrejas estavam unidas tanto no

recebimento dos benefícios do trabalho de Áquila e Priscila quanto, através de Paulo, saudando em conjunto a igreja reunida em Roma.

d. 1 Co 4.17; 7.17; 11.16; 14.34; 16.1 – Paulo enfatiza em 1 Coríntios que o ensino administrado a eles era o mesmo dirigido a todas as igrejas. Havia um padrão doutrinário comum de ensino e correção que devia ser crido e seguido pelo conjunto das igrejas.

e. 2 Co 8.1,18,19,23,24 – As igrejas se uniam para ajudar umas às outras, quando alguma passava por necessidade. O espírito cooperativo era comum e incentivado. Inclusive, as igrejas enviavam representantes para participar do trabalho nos próprios locais onde as ações eram realizadas.

f. Ap 2.7,11,17,29; 3.6,13,22 – É notável que cada carta enviada às igrejas nos primeiros capítulos de Apocalipse contém a frase: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Mesmo que as cartas fossem dirigidas às igrejas individualmente, esta frase confirma que o ensinamento deveria ser repassado para as igrejas em conjunto.


3. BUSCAR A UNIÃO REFORÇA A PRÁTICA DAS ATITUDES ENSINADAS POR CRISTO

Paulo inicia a parte prática da carta aos Efésios (capítulos 4 a 6) enfatizando o ESFORÇO necessário para buscar e manter a união no Corpo de Cristo: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.3).


Não é simples nem fácil começar e, principalmente, manter a união. Há vários fatores práticos que trabalham na contramão da preservação da união. O ser humano tem uma enorme diversidade de pensamentos, de gostos, de preferências, de habilidades... há convicções variadas, visões da vida e da sociedade diferentes... isso sem falar de interpretações diferentes e cheias de convicção de textos bíblicos variados.


Por isso, para que a união possa existir e ser preservada, Paulo determina que certas atitudes precisam ser praticas por todos: humildade, mansidão, longanimidade (paciência) e suportar uns aos outros (Ef 4.2), no “vínculo da paz” (Ef 4.3).


A pessoa ou a igreja que insiste em permanecer isolada, reforça o oposto destas atitudes, correndo sérios perigos. Ela geralmente acha que sua opinião sempre é a mais correta, e que deveria ser seguida por todos. Essa atitude torna difícil ouvir e analisar opiniões diferentes. Por isso, não aceita opiniões ou posições contrárias, e se afasta de quem as tem, ficando cada vez mais isolada. Não tem paciência com quem pensa diferente e, geralmente, não está disposta a dialogar, pois não aceita opiniões diferentes das suas.


O processo geralmente é o mesmo: um grupo menor se separa do grupo maior, por não concordar com certas atitudes, opiniões ou práticas. Como cada um é diferente do outro, não demora a se achar opiniões diferentes no grupo que se separou. Aí há um nova separação, e o grupo fica cada vez menor. De repente, cada um está sozinho e isolado, por não concordar com alguma coisa do outro ao seu lado.


Há vários pastores e líderes que tem essa atitude, não por mal, mas por terem um zelo tão grande por fazer o correto, pela santidade diante de Deus, que colocam em risco a eficácia do seu próprio trabalho. Muitos tem desanimado com o ministério, e até abandonado seu chamado, por se ver sozinho lutando contra o inimigo, mas com critério de certo e errado para suas decisões, perdendo a oportunidade de dividir suas lutas, e ser avaliado, melhorado ou até corrigido. Aquele que se isola também tende ao comodismo, mantendo as coisas sempre da mesma forma que foram feitas, sem progredir. A carga do ministério não é dividida com ninguém, correndo o risco de ser maior do que ele pode suportar.


4. A UNIDADE FRUTIFICA ATRAVÉS DA DIVERSIDADE

Não somos iguais, nunca seremos e não é a intenção de Deus que sejamos. Deus ama a diversidade e nos criou diferentes uns dos outros para nos completarmos. A metáfora do Corpo explica bem essa intenção de Deus.


Existe uma base na qual todos estamos unidos. Mesmo sendo diferentes uns dos outros, estamos unidos uns aos outros por ela. A diferença entre nós é periférica. O centro é o mesmo. Nossa diversidade está alicerçada em bases doutrinárias sólidas, instituídas pelo próprio Deus.


Efésios 4 ensina que é a partir da UNIDADE estabelecida que a igreja desempenha seu serviço em meio à DIVERSIDADE. Esta unidade está alicerçada na TRINDADE DIVINA.


“Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” (Ef 4.4-6).


A união entre as igrejas está estabelecida sobre BASES DOUTRINÁRIAS FORTES e é praticada através da DIVERSIDADE.


“E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo... E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo... Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Ef 4.7,11,12,15,16).


A graça de Cristo nos salvos é dividida proporcionalmente (7), de acordo com a Sua vontade, dando a cada um dons e funções diferentes (11), para que o Corpo de Cristo, a igreja, unida sob a mesma Cabeça (15), seja aperfeiçoada no seu serviço (12) e cresça através da cooperação (15). Ou seja, UNIÃO com DIVERSIDADE! Isolamento não combina com esse ensino.


O mesmo ensino é reforçado aos coríntios. A UNIDADE está alicerçada na TRINDADE (1 Co 12.4-6) e praticada na DIVERSIDADE de dons e funções (1 Co 12.11-14, 18-20, 27).


PORTANTO, uma ASSOCIAÇÃO DE IGREJAS é essencial para que, firmados nos alicerces doutrinários ensinados e estabelecidos pelo Senhor, cumpramos Sua vontade, UNINDO nossas forças diversificadas e complementares, para executarmos com mais eficácia as tarefas de crescimento do Reino dadas a nós, a igreja.



B. O QUE É UMA ASSOCIAÇÃO DE IGREJAS?

Antes de falarmos sobre Associação de Igrejas, vamos definir o que é uma “ASSOCIAÇÃO”. Segundo o Dicionário InFormal, associação é um “grupo de pessoas ou empresas que sob um Estatuto Social se aderem com propósitos definidos de ajuda mútua e para defesa de interesse e metas a serem alcançadas que se sustenta através de contribuições financeiras espontâneas, geralmente sem fins lucrativos” (dicionarioinformal.com.br/associação).


Portanto, uma ASSOCIAÇÃO DE IGREJAS poderia ser definida como um conjunto de igrejas que defende A MESMA FÉ, e que se UNEM para cumprir PROPÓSITOS ESPECÍFICOS, definidos por elas mesmas.


A AIBREB (Associação de Igrejas Batistas Regulares do Brasil) tem essas características estabelecidas nos primeiros artigos do seu estatuto, no capítulo primeiro, intitulado “DA DENOMINAÇÃO, SUA SEDE, NATUREZA E SEUS FINS” (Estatuto da AIBREB, 2009):


“ARTIGO 1º — A Associação das Igrejas Batistas Regulares do Brasil, tendo como sigla AIBREB, organizada em 20 de maio de 1953, em Juazeiro do Norte - CE, é uma organização religiosa sem fins econômicos, constituída por Igrejas Batistas Regulares, tem duração por tempo indeterminado, com sede no Seminário Batista do Cariri, situado à Rua Aminadab Arruda Campos, 102, Mauriti, Crato, CE."


“ARTIGO 2º — A sua finalidade é servir e fortalecer, na unidade cristã, às igrejas associadas e

organizações por ela reconhecidas; animar e promover, entre elas, a cooperação, oração, evangelismo, obra missionária, fé cristã, sã doutrina, separação do mundanismo, das heresias, dos erros teológicos; a prática da assistência social e a educação, consoante às Escrituras Sagradas.


“ARTIGO 3º — A AIBREB reconhece a autonomia da igreja local e não exerce autoridade

jurisdicional ou legislativa de nenhuma forma sobre ela.”


A Associação de Igrejas trabalha a cooperação entre elas, sem interferir na sua individualidade.


As igrejas que se associam possuem em três características principais:

1. São AUTÔNOMAS – não pode existir a interferência de uma sobre os assuntos

internos da outra;

2. São VOLUNTÁRIAS – podem entrar e sair da associação a qualquer momento;

3. São COMPROMETIDAS – esforçam-se para cumprir a parte que lhes cabe nos objetivos

propostos.


Sua união diz respeito tão somente àquilo que for determinado por elas mesmas com sendo

seus propósitos. As igrejas associadas concordam em cooperar para atingi-los, unem as forças, e fazem cada uma sua parte características, combinando com as demais nos aspectos fundamentais, acertados por todas.



C. PARA QUE SERVE UMA ASSOCIAÇÃO DE IGREJAS?

Uma associação de igrejas deve existir para o benefício do trabalho de Deus, visando, não

somente o bem individual de cada participante, mas tendo em vista os propósitos do Reino de Deus, que vão além das nossas locais físicos de autuação.


As quatro áreas abaixo não são as únicas. Pode haver mais ocasiões onde uma Associação de Igrejas poderia atuar, sempre respeitando a autonomia de cada igreja. Algumas atuações são as seguintes:


1. SERVIR ÀS IGREJAS POR MEIO DA UNIÃO DO GRUPO

Cooperando com igrejas que estejam sem pastor, a pedido das mesmas.

Auxiliando pastores a encontrar igrejas ou igrejas a encontrar pastores.

Ajudando igrejas com dificuldades financeiras.

Aconselhando pastores que peçam ajuda em casos difíceis.

Mediando conflitos entre pastores e membros das igrejas.

Ajudando física e financeiramente igreja que estejam em construção ou reforma.


2. FORTALECER AS IGREJAS ATRAVÉS DA UNIÃO E DA COMUNHÃO

Promovendo conferências e encontros para fortalecimento dos pastores e líderes.

Promovendo treinamentos de liderança: diáconos, administração da igreja,

professores de EBD, música, aconselhamento, discipulado etc.

Fazendo intercâmbios entre igrejas e entre grupos das igrejas – HOMBRES, CONJOB, SOPASBRE etc.

Fomentando a troca de experiências ministeriais entre pastores e líderes.


3. CRIAR UMA IDENTIDADE ATRAVÉS DA PRESERVAÇÃO DOUTRINÁRIA

Estabelecendo as Regras de Fé que precisem ser confessadas por cada igreja que queira se associar.

Avaliando e credenciando instituições (seminários, agências missionárias, entidades assistenciais, editoras etc.) que queiram o apoio das igrejas associadas.

Ajudando igrejas que queiram se associar a se adequar aos ensinos e práticas bíblicas.


4. INCREMENTAR O TRABALHO DO REINO ATRAVÉS DA COOPERAÇÃO

Criando, desenvolvendo e apoiando projetos missionários conjuntos.

Cooperando com projetos individuais de igrejas associadas.

Estabelecendo e apoiando instituições que favoreçam o cumprimento da missão

da igreja (seminários, agências missionárias etc.).

Iniciando igrejas na região de atuação da associação através do trabalho conjunto.

Ajudando igreja menores a ter o benefício de atingir alvos com um grupo, que

seria impossível de alcançar sozinha.


CONCLUSÃO

O trabalho cooperativo entre as igrejas, além de ser algo ensinado e enfatizado nas Escrituras, é o meio mais eficaz de cumprir os objetivos de Deus para a igreja.


Alguns líderes tem evitado associar-se com medo de perder o controle sobre o resultado do trabalho. Não controlamos os resultados. Cumprimos ordens! ... “De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1 Co 3.7).


Outros rejeitam a proximidade com outras igrejas olhando para a história. Algumas associações de igrejas no passado terminaram mal, com desvios da fé. Contudo, nossa base para tomar decisões não deve ser a história, mas a Palavra. Se acontecer (enfatizo o “se”), Deus nos ajudará a lidar com a situação naquele momento. Não podemos ser desobedientes AGORA, temendo possibilidades futuras que nem sabemos se vão acontecer ou não.


Por isso, uma ASSOCIAÇÃO DE IGREJAS é essencial para que, firmados nos alicerces doutrinários ensinados e estabelecidos pelo Senhor, cumpramos Sua vontade, UNINDO nossas forças diversificadas e complementares, para executarmos com mais eficácia as tarefas de crescimento do Reino dadas à igreja.


“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho... o cordão de

três dobras não se rebenta com facilidade” – Ec 4.9,12


Paulo Bondezan,

março de 2017


Fonte: http://aibreb.org.br/importancia_assoc.html

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"Porque ninguém pode lançar outro fundamento além do que já foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3.11)